Os nove capítulos iniciais deste ensaio falam da “física” do ofício da pintura, hoje esquecida. Cattiaux comenta o segredo de sua pintura, a matéria inalterável e transparente que produz o “vibrato” do qual fala no texto. Depois se debruça sobre a “metafísica” da criação, isto é, dons, práticas e virtudes de quem cria obras de arte viva.
O original, em Cattiaux, é criar a partir da origem, lugar da unidade sagrada de onde emana toda forma. O radical, nele, vem da raiz que nutre a árvore da vida. A obra não nasce do que imagina ou sonha, mas do que saboreia e sabe.
Seu estilo pode ser chamado metafísico e – em certos aspectos – surrealista, já que desce a camadas obscuras do ser humano. Mas Cattiaux não penetra na escuridão para divagar no caos das trevas interiores, mas para contemplar nelas o nascimento da luz. Sua pintura, diz ele, sai “das trevas do ser oculto”.
Por isso este livro aclara a diferença entre a arte fictícia e aquela que tem por base o que é outorgado pela boa Musa.